TPI (teeth per inch) é o número de dentes por polegada da lâmina de serra fita — e é ele quem decide se o corte sai limpo e rápido, se a lâmina esquenta ou não, e quantas semanas de trabalho ela vai durar na sua máquina. A regra de ouro da usinagem vale para o açougue e para a marcenaria: no mínimo 3 dentes em contato com o material durante o corte. Menos que isso, o dente “engancha” e arranca; muito mais que isso, a serragem não escoa e a lâmina superaquece. Este guia traduz a teoria em tabelas práticas por material — carne, osso, congelado, madeira e metal.
O que o TPI muda na prática
Para começar, pense no dente da lâmina como uma pá que corta e carrega a serragem para fora do canal. O TPI define o tamanho dessa pá:
- TPI baixo (dentes grandes, ex.: 3): para começar, cada dente morde muito material e tem uma “goela” (gullet) grande para carregar serragem volumosa. Corta rápido e agressivo, com acabamento mais grosseiro. É a pá de obra;
- TPI alto (dentes pequenos, ex.: 10–14): em seguida, mordidas pequenas e numerosas, acabamento fino, avanço mais lento. É a colher de sobremesa — precisa, mas não serve para mover terra;
- TPI variável (ex.: 4-6, 10-14): por fim, alterna dentes maiores e menores no mesmo circuito, reduzindo vibração e servindo faixas de espessura variadas — comum nas lâminas bimetálicas de metal.
A regra dos 3 a 24 dentes em contato
Na prática, a fórmula profissional para escolher o TPI é esta: multiplique o TPI pela espessura do material em polegadas — o resultado deve ficar entre 3 e 24, idealmente na faixa de 6 a 12.
- Peça de 4″ (10 cm) com lâmina 3 TPI → 12 dentes em contato ✔ ideal;
- Peça de 1/2″ (12 mm) com lâmina 3 TPI → 1,5 dente em contato ✘ o dente engancha e arranca;
- Peça de 4″ com lâmina 14 TPI → 56 dentes em contato ✘ serragem não escoa, lâmina esquenta e perde têmpera.
É por isso que não existe “melhor TPI” absoluto — existe o TPI certo para a espessura que você corta todo dia.
TPI para açougue, frigorífico e peixaria
| Aplicação | TPI indicado | Por quê |
|---|---|---|
| Carne resfriada com osso (rotina de açougue) | 4 | Equilíbrio entre corte limpo e escoamento da serragem óssea |
| Cortes grandes com osso / desmanche | 3 | Goela grande para volume de serragem |
| Carne congelada em bloco | 3–4 (dente temperado) | Material duro exige mordida firme e avanço lento |
| Pescado congelado (postas) | 4–6 | Dente menor não lasca a carne — acabamento de bandeja |
| Cortes finos e acabamento | 5–6 | Mais dentes em contato na peça fina |
Na prática, o padrão que sai do balcão da Portela para açougues de mercado é este: lâmina 5/8″ com 4 TPI — a combinação que serve o dia misto de resfriado e osso. Congelou a rotina? Suba para a dupla que detalhamos no guia da largura 5/8 vs 3/4.

TPI para madeira e metal
| Material | TPI indicado | Observação |
|---|---|---|
| Madeira maciça (ressertagem/desdobro) | 2–3 | Corte rápido, muita serragem |
| Madeira — cortes curvos e finos | 6–10 | Lâmina estreita + TPI alto para raio |
| MDF e madeira dura | 6–10 | Acabamento sem lascar o revestimento |
| Metal — perfis e tubos finos | 10-14 variável | Parede fina exige muitos dentes em contato |
| Metal — barras maciças | 4-6 variável (bimetal) | Ver nosso guia de lâminas bimetálicas |
Além disso, atenção redobrada na serralheria: cortar tubo de parede fina com TPI baixo é quebra de dente na certa — o dente entra no vazio do tubo e bate na parede seguinte.
TPI e velocidade de avanço: a dupla inseparável
Atenção, porém: o TPI certo com o avanço errado produz os mesmos defeitos do TPI errado. Afinal, a lógica é simples: cada dente precisa de tempo para morder e descarregar. As regras de bancada:
- TPI baixo pede avanço firme e constante: para começar, empurrar devagar demais faz o dente grande “raspar” em vez de morder, gerando calor e cegando o fio prematuramente;
- TPI alto pede avanço paciente: em seguida, forçar a peça contra uma lâmina de dente fino entope as goelas — a serragem sem saída vira lixa quente entre a lâmina e o material;
- Material congelado sempre pede avanço reduzido, independentemente do TPI: a dureza multiplica o esforço por dente;
- Deixe a lâmina “pedir” o avanço: por fim, o som constante e a serragem uniforme são o feedback — trepidação e chiado agudo significam desequilíbrio entre TPI, avanço e material.
Como resultado, um operador treinado nessa sensibilidade preserva lâminas por semanas a mais — treinamento de 15 minutos que se paga na primeira troca evitada.
Como montar o estoque de lâminas por TPI
Para operações que cortam mais de um tipo de material, a prateleira ideal é pequena e estratégica:
- Açougue de mercado: para começar, 2× lâmina 4 TPI (a titular e a reserva) + 1× 3 TPI se houver rotina de congelados. Identifique com etiqueta na embalagem;
- Frigorífico/desossa em volume: em seguida, kit semanal calculado pelo consumo real + margem de 30% — lâmina em falta é linha parada;
- Peixaria: além disso, 2× lâmina 5–6 TPI anticorrosão — e rigor absoluto na secagem da reserva;
- Marcenaria: por sua vez, uma grade por trabalho típico (desdobro 3 TPI, curvas 6–10 TPI), sempre penduradas em círculos largos;
- Manutenção industrial (metal): por fim, bimetálica variável 10-14 para perfis + 4-6 para maciços.
Além disso, regra transversal: guarde a lâmina reserva seca, embalada e longe do chão úmido — estoque oxidado é dinheiro que virou ferrugem antes de estrear.
Sinais de que o TPI está errado
- Corte aos trancos, com a peça “pulando”: para começar, TPI baixo demais para a espessura;
- Lâmina esquentando e serragem queimada: em seguida, TPI alto demais — a goela entupiu;
- Dentes quebrando: além disso, TPI baixo em material fino/duro (o clássico do tubo metálico);
- Acabamento rasgado em vez de cortado: por sua vez, TPI insuficiente para o acabamento desejado;
- Avanço lento demais mesmo com lâmina nova: por fim, TPI alto “lixando” em vez de cortar.
Se os sintomas persistem com o TPI certo, o problema é outro: tensão, guias ou alinhamento — o passo a passo está em como ajustar a lâmina de serra fita.
Além do TPI: geometria e trava do dente
Por fim, duas especificações completam a leitura do catálogo:
- Forma do dente: para começar, regular (uso geral, avanço moderado), skip (goela ampliada para materiais macios e fibrosos) e hook (ângulo agressivo para corte rápido em madeira mole/espessa);
- Trava (set): por fim, o desalinhamento alternado dos dentes que abre o canal de corte. Trava maior = curva mais fácil e menos atrito; trava menor = corte mais fino e reto. Nas lâminas de carne, a trava também influencia o desperdício por serragem.
O TPI certo pode dobrar a vida da sua lâmina
Uma informação que quase ninguém olha na compra vale semanas de corte. Diga o que você corta e receba a lâmina com o TPI exato para a sua rotina.
Perguntas frequentes
Qual TPI para lâmina de serra fita de açougue?
Como regra, 4 TPI é o padrão para a rotina mista de resfriado e osso; 3 TPI para desmanche pesado e congelados; 5–6 TPI para acabamento fino e pescado.
Mais dentes significa corte melhor?
Não — significa corte mais fino na espessura certa. Já em peça grossa, TPI alto entope de serragem, esquenta e arruína a lâmina. Vale a regra dos 3 a 24 dentes em contato.
Posso usar a mesma lâmina para carne e madeira?
Não deve: além do TPI e da geometria diferentes, há a questão sanitária — lâmina que cortou madeira/metal não volta para alimento. Mantenha lâminas dedicadas.
O que é lâmina de TPI variável?
Uma lâmina que alterna grupos de dentes de tamanhos diferentes (ex.: 4-6, 10-14), reduzindo vibração e cobrindo faixa maior de espessuras — o padrão moderno para corte de metais.
Onde comprar lâmina com o TPI certo em Recife?
Na Portela Indústria (Cabanga): informe máquina, material e espessura típica — a lâmina sai soldada na medida, com o TPI indicado para o seu corte, incluindo linha Starrett.
Exemplo real do balcão: o açougue que trocava lâmina toda semana
Para ilustrar, um caso típico que atendemos: açougue de mercado trocando lâmina a cada 5–6 dias, convencido de que “lâmina hoje em dia não presta”. Logo no diagnóstico, a rotina revelou o padrão — de manhã, cortes resfriados; à tarde, blocos congelados para as bandejas econômicas, tudo com a mesma lâmina de 6 TPI fina. O congelado da tarde entupia e superaquecia a lâmina dimensionada para o resfriado da manhã. Por fim, a solução custou zero em equipamento: duas lâminas dedicadas (4 TPI para a rotina, 3 TPI temperada para o congelado) e a troca de dez minutos na virada do turno. Como resultado, a vida útil média foi de 6 dias para mais de 3 semanas por lâmina — e o corte da tarde ficou visivelmente mais limpo. O TPI certo não é detalhe de catálogo: é dinheiro no fim do mês.
O número que transforma o seu corte
Em resumo, o TPI é a “marcha” da sua serra fita: dentes grandes para material grosso e volumoso, dentes pequenos para fino e acabamento, sempre com 3 a 24 dentes em contato. Aprenda a espessura da sua rotina, aplique a fórmula e a lâmina passa a cortar mais rápido, mais limpo e por muito mais tempo — a diferença entre trocar lâmina toda semana e todo mês costuma estar exatamente aqui, no número que quase ninguém olha na hora da compra.
Lâmina soldada na medida, com o TPI certo para o seu corte: lâminas de serra fita na Portela Indústria ou peça pelo WhatsApp (81) 99208-2862.
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